segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Não eram nem dez da manhã quando a tela da máquina escureceu. Aos poucos o meu estranhamento foi se misturando ao de todos naquele andar do escritório. O que haveria acontecido?
Logo chegaram as primeiras notícias vindas do térreo: O nobreak estourou.
Lógico que eu fui checar se era verdade, mas, ao chegar lá, nem precisei perguntar nada a ninguém. A fumaça e o cheiro de queimado já denunciavam que o estrago não tinha sido mínimo. Podia nem ter sido uma catástrofe, mas também não era qualquer coisa. Era sério.
Uma boa quantidade de pessoas se acumulava na sala do aparelho explodido. Todas estáticas, mudas, assistindo pacientemente à impaciência do gerenciador de sistemas, a essa altura, com o ouvido grudado no telefone e os olhos vidrados em alguma coisa que não fazia parte do meu campo de visão. Alguém se move: “Liga pro Eletricista. Urgente!”. E lá vem o eletricista.
Eu, que não podia resolver nada mesmo, subi pra pensar no que eu iria fazer enquanto não haviam computadores na empresa. E eu não podia fazer nada. Tudo hoje depende dessa máquina infeliz. A dúvida era geral. Todo mundo se perguntava a minha pergunta e se respondia a minha resposta. Todos escravos do teclado, mouse e companhia.
Enquanto o computador não volta, uns conversam na salinha do café, outros lêem as notícias antigas – logo, já nem eram mais notícia – outros fazem qualquer outra coisa. Eu pego a caneta e escrevo.

domingo, 17 de fevereiro de 2008





QUARTA - FEIRA, UMA DA MANHÃ.

Hora de acordar. Ou melhor, eu não tinha dormido. Ao invés disso, fui jogar papo fora com uma amiga, numa cafeteria. Era hora, na verdade, de acordar a minha mãe, que me levaria ao aeroporto.
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Notícia ruim no check-in: Um amigo da família havia falecido em um acidente de carro nada leve. Fatalidades da vida.
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Embarque pelo portão internacional. Não sei por que, mas passar pela Polícia Federal sempre me deixa apreensivo. Portão 8.

O avião finalmente decola, sem deixar pra trás aquela ponta de ansiedade. Essa, por sinal, cresce. Havia a possibilidade de encontrar velhos amigos no aeroporto de Guarulhos. Aliás, eu queria acreditar nessa possibilidade, embora a achasse um pouco inviável.
Tiro a minha revista Piauí de fevereiro na mochila e vou lendo no vôo 3165 da TAM. A escuridão vista da janela me fez dormir um sono leve, sempre interrompido por ruídos dos mais variados tipos (tosses, roncos, vozes abafadas e o maldito alto falante da aeronave, que sempre vem trazer notícias imbecís.) e o desconforto da poltrona irreclinável 10B, em frente à saída de emergência. Outra coisa, a meu ver, inútil. Alguém vai abrir aquilo em caso de queda? Quem vai ter sangue frio pra puxar aquela porta pesada (uns 13 quilos!) no meio de uma emergência?

Normas de segurança à parte, já era perto das seis da manhã quando o procedimento de descida me fez atentar para um céu alaranjado. Era o nascer do dia 14 de fevereiro na capital paulista.
Lá de cima se viam luzes. Muitas luzes. A cidade era um labirinto esquisito e iluminado. Algumas luzes piscavam e eu até agora não sei se era efeito da minha sonolência. Pela janela, a cidade foi crescendo, tomando forma. As ruas alargaram e o movimento lá embaixo já era nitidamente acelerado.

O POUSO
Meio caminho andado. Restava esperar que o relógio caminhasse sem pressa até às nove e meia. Enquanto isso, algumas fotos, o misto quente mais caro da minha vida e um livro legal. Do Mainardi. “Lula É Minha Anta”.

FROM: GRU. TO: MAO
Lendo o livro, esperei pelo embarque e decolagem. Não sei qual dos dois demorou mais.
Acho que antes de tirar os “pés” do chão, o sono toma conta, mas dura só até o avião se estabilizar no ar e a voz mecânica da aeromoça anunciar alguma coisa a qual eu não prestei atenção. O maldito alto-falante de novo. Vêm o café da manhã, as áreas de instabilidade – leia-se “turbulência do caralho” e a vontade de chegar logo.
Depois do café me bateu um sono violento. Desses que você só percebe que veio quando você já acordou. Nem a tosse nojentamente carregada da francesa sentada em minha frente me atrapalhou.
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Não conversei com a fancesa, mas sei que era francesa. Não pela fala, mas pelo cheiro.
- Perfume francês? – me pergunta você.
- Só se for com aroma de gambá molhado – respondo eu.

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“PREPARAR PARA POUSO”
Isso me deu um certo alívio. Ia, finalmente, poder esticar as pernas. Estiquei um pouco o pescoço e pude ver Manaus pela janela. É assim: Uma mata fechada e muito – MUITO – grande, o rio Negro – falaremos dele em seguida – e a cidade.
A espera pelas malas foi demoradíssima. Até que, por fim, minha kipling preta foi parida pelo buraco no chão, de onde saía a esteira rolante.

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MEU BATISMO NA TERRA MANAUARA: Um belo bombom de cupuaçu!
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Saindo do aeroporto uma cena me fez, finalmente, tirar a máquina fotográfica da mochila. Aviões da extinta Vasp, ou melhor, VaspEx, entregue à ferrugem.






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Foi decepcionante chegar ao shopping e constatar que os eletro-eletrônicos são tão caros quanto em qualquer canto. A Zona Franca já não é mais a mesma.
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Um dado curioso: O Jornal Nacional vai ao ar às seis da tarde. Duas horas a menos de fuso horário.
Outro dado curioso: Os outdoors manauaras são encharcados de luxúria. Um deles, numa avenida da cidade, via-se a logomarca do lugar, o nome do estabelecimento – CABARET NIGHT CLUB – e o endereço. Sem slogan. Pra quê slogan, né? Como seria? "Comida fresca"? "Muito prazer!"? Enfim, não tenho manha de publicitário!
Do outro lado, é o “Super Hot Dog” que chama atenção, estampando a rua com a foto de um pão de cachorro-quente recheado com 30cm de salsicha (dizia no splash). Parece anúncio de filme do Kid Bengala, que exibe ainda um romântico casal dividindo o sanduíche. Cada um abocanhando um lado da salsicha, à moda “A Dama e o Vagabundo”.
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RIO NEGRO E SOLIMÕES
Um das maiores atrações turísticas de Manaus é o encontro das águas dos rios Nego e Solimões. Aquela que a gente vê no Globo Repórter toda semana.
Eu fui ver de perto. Foi legal, bonito. Rendeu fotos. E fatos! Talvez a paisagem chame mais atenção do que o encontro das águas.

Sem dúvida nenhuma, o que mais me impressionou foi o “trabalho” dessas crianças. (depois coloco a foto "dessas" crianças. Não estou conseguindo agora.)

Elas capturam animais silvestres e cobram para que turistas possam tirar fotos com eles. Algo como agenciadores da fauna amazonesne.
Não há sinais de maus-tratos.
O que impressiona mais ainda é a familiaridade que esses moleques têm com cobras, jacarés, bichos-preguiça (ou bichos-preguiças? Ou bicho-preguiças? Acho que é bichos-preguiça mesmo). A facilidade no manuseio e a rigidez na imobilização. A prática, de fato, leva à perfeição, mas, ainda assim, reservo-me o direito de ficar impressionado.
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Conversa de alguém com não sei quem sobre o encontro dos rios:
- Porque as águas não se misturam?
- Ah, por conta da densidade, da correnteza... e um pouco de racismo também.
Hahaha! Então tá explicado.
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Um último dado curioso: Trocaram a voz da locutora da INFRAERO! A nova tem um (não tão) leve tom de arrogância. Parece câmera lenta.
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Um último diálogo:
- Primo, quem nasce em Manaus é o que? – perguntei.
- Índio. – Ele respondeu.
- Acho que é manauara.
- Não falei que era índio!?
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Finalizando o meu post, deixo Manaus com uma bela de uma gripe, uma pequena fortuna em bombons de cupuaçu e uma vontade imensa de ficar mais um pouquinho.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

E o Secretário de Defesa Social mandou um "Pede pra sair"!
Caiu o General Sá Rocha. E a população aprovou!
Ao que tudo indica, vem aí um Delegado Federal pra assumir a secretaria. Se assim for, pobres dos políticos alagoanos...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Beto Carrero

Acordei um tanto assustado hoje. Decepcionado também. Logo cedo, no Bom Dia Brasil, me deparo com uma notícia que realmente me impressionou.
Morreu um cara, desses que quando você é criança, realmente acha que nunca vai morrer. Que tem como imortal.
Se eu falar que foi o João Batista Sérgio Murat ninguém dá valor, mas se eu falar que esse cara é (era) o Beto Carrero, talvez a sua reação seja igual à minha: "O BETO CARRERO MORREU?????"
João Murat morreu de endocardite infecciosa e choque cardiogênico. O Beto Carrero pode ter morrido de... de... PORRA, MAS O BETO CARRERO NÃO MORRE. Deve ter morrido de tiro, brigando com "malfeitores". O João Murat morreu aos 70 anos. O Beto Carrero deve ter morrido lá pelos vinte e poucos. João Murat tinha dois filhos. O Beto Carrero... bem, conheço várias pessoas que queriam ser filhas do Beto Carrero. O João morreu num hospital. O Beto se foi à cavalo.
Parece impossível que o Beto Carrero tenha morrido. O Beto Carrero não ia morrer nunca. Pelo menos não na minha cabeça.
Acho que é a mesma reação de ouvir que o Silvio Santos morreu. Todo mundo acha que aquele cara não morre nunca. Mas morre. Assim como o Beto Carrero, a Xuxa, o Didi e o Chaves.
Que vá em paz, então.
NOTA: Por um segundo achei que só eu me impressionaria com a morte do cara. Mas todo mundo olhou pra minha cara e disse "Deixa de mentira, Arthur". Tive que provar pela Globo.com que o Beto Carrero tinha morrido.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sensibilidade

Hoje, eu estava vindo pra casa em companhia de um conhecido. Ele é Major do Corpo de Bombeiros de Alagoas, pai de meus dois primos e também faz jornalismo na minha faculdade - embora ele já tenha trancado o curso um milhão de vezes. Admiro muito o trabalho do Corpo de Bombeiros e acredito que eles poderiam ser mais respeitados pelas autoridades e sociedade. Mas esse não é ponto.
Durante a conversa, justamente falando sobre o trabalho dos bombeiros, ele me relatou um caso que me deixou meio de queixo caído. Segue o relato, que foi mais ou menos assim:

"Uma vez a gente estava indo fazer o caso de um rapaz que sofreu acidente de moto e, na pancada, perdeu a perna. Na hora. A perna dele voôu. Chegamos lá, prestamos o socorro, o colocamos na viatura do Corpo. Enquanto isso, outra pessoa foi buscar a perna, que tinha voado longe. Me impressionei quando vi que o cara, que já estava na coorporação há um bom tempo, pegou a perna do motoqueiro e colocou embaixo do braço como se fosse um pedaço de pau."

Eu fiquei horrorizado imaginando a cena. Por mais que o seu trabalho seja assim, nunca se pode deixar a sensibilidade de lado. O lado humano não pode ser esquecido. Era uma PERNA, poxa.
Acho que quando você, num trabalho desses, perde a sensibilidade, é hora de ser encaminhado pra algo menos "humano". Vai pra contabilidade, administração... O Major também acha assim: "No outro dia, encaminhei ele pro psicólogo".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Charlie Brown Jr.


O rock ácido tomou conta do palco principal da Cidade da Música no último show da quarta-feira.
A banda Charlie Brown Jr. Transformou o palco em uma grande pista de skate, que foi um show a parte, com a participação do pentacampeão mundial de skate, Mineirinho, que roubou a cena em determinados momentos do shows com manobras de tirar o fôlego.
Chorão, Thiago Castanho, Heitor e Pingüim tocaram grandes sucessos da banda como “Lutar pelo que é meu”, “Ela vai voltar”, “Vícios e Virtudes” e levantaram a platéia, já em quantidade reduzida devido a hora, já passavam das cinco da manhã. As músicas vieram, quase todas, com arranjos mais encorpados e sempre com um beat box em segundo plano, coisa que já virou marca registrada da banda.

Em determinado momento, Chorão quis chegar mais perto do público e cantou “Papo Reto” no suporte de uma das gruas, que fica perto do palco, mas com o público em volta, ao delírio.

A banda finalizou a apresentação com coreografias de brake no palco.




Foto: Chorão, do Charlie, agradecendo ao público pela boa recepção. (Por Coperphoto)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Strike!

O show da banda Strike no palco Tendências do Festival de Verão Salvador 2008 vai ser inesquecível para Thiago Castro, 18 anos. Ao fim do show, já no “bis”, Marcelo, vocalista da Strike chamou Thiago ao palco para cantar a música “Paraíso Proibido”, tema da abertura da novela Malhação, da Rede Globo.

Ao fim do show, o “cantor temporário” da banda estava eufórico. “Foi muito bom cantar com eles, porque é a minha banda preferida”, disse ele, molhado de suor.

NOTA: NA VERDADE VERDADEIRA, THIAGO CASTRO DISSE "EU ACHEI DO CARALHO PORQUE A BANDA É MUITO FODA E É MINHA BANDA PREFERIDA", MAS EU NÃO IA ESCREVER ISSO NUMA MATÉRIA, AÍ MAQUIEI A FALA DO CARA!