sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Meu Desejo

Quando minha hora chegar, não tentem introduzir em meu corpo, uma vida artificial, usando uma máquina. Ao invés disso, dê minha vista para o homem que nunca viu um sol nascente, um rosto de bebê ou amor nos olhos de uma mulher. Dê meu coração para uma pessoa de que o próprio coração causou nada mais que, últimos dias de dor.

Dê o meu rim para aquele que depende de uma máquina para existir de semana a semana...

Pegue meu sangue, meus ossos, todos músculos e nervos do meu corpo e ache um meio de fazer uma criança aleijada andar. Explore todos os cantos do meu cérebro. Pegue minhas células, se necessário, e deixe-as reproduzir e algum dia, um garoto que fala pouco estará apto para gritar enquanto seu time marca gol e uma garota surda ouvirá o som da chuva contra sua janela.

Queime o que restar de mim. Espalhe as cinzas para o vento, para as flores crescerem.

Se você quer mesmo enterrar alguma coisa, deixe minha falta, minha fraqueza e todos os meus preconceitos contra meu semelhante. Dê meus pecados para o diabo e minha alma para Deus.
Se você for querer lembrar de mim, faça-o com certa façanha, ou fale com alguém que precise de você.

Se você fizer tudo isso que eu pedi, eu viverei para sempre.

Texto inglês de autor desconhecido.

domingo, 28 de dezembro de 2008

At work!


Depois de décadas sem nada novo por aqui, vim colocar um vídeo.

Num momento de pura necessidade, me colocaram pra narrar esse vtzinho. Aí eu narrei. Se narrei, tá no blog!

[CABEÇA]

CRIME EM ARAPIRACA! UM POLICIAL MILITAR É ACUSADO DE MATAR PELAS COSTAS O COMERCIANTE ANTÔNIO NASCIMENTO DA SILVA/ DE QUARENTA ANOS// O ASSASSINATO ACONTECEU NA NOITE DE ONTEM// SEGUNDO TESTEMUNHAS/ O MOTIVO DO CRIME FOI BANAL///

#RodaVT: 1'48''

OFF 1 - O CRIME ACONTECEU NESTE BAR// ANTONIO NASCIMENTO DA SILVA/ DE QUARENTA ANOS/ SE PREPARAVA PARA FECHAR O LOCAL QUANDO RECEBEUI OS DISPAROS// OS TIROS ATINGIRAM A CABEÇA E O CORPO DO COMERCIANTE// A IRMÃ DA VÍTIMA/ DIZ QUE O CRIME FOI MOTIVADO PORQUE ANTÔNIO PEDIU AO MILITAR QUE SAÍSSE DO BAR PARA FECHAR O ESTABELECIMENTO//

SONORA - SILVANA SILVA - irmã da vítima

OFF 2 - O PRINCIPAL ACUSADO É O MILITAR IDENTIFICADO APENAS COMO WENDEL// O SOLDADO É LOTADO NO TERCEIRO BATALHÃO DE ARAPIRACA/ QUE SE NEGOU A INFORMAR O SOBRENOME DELE// SEGUNDO A FAMÍLIA/ TESTEMUNHAS PRESENCIARAM O CRIME//ANTONIO TERIA FALADO O NOME DO POLICIAL ANTES DE MORRER//

VOLTA SILVANA

OFF 3 - HOJE O SOLDADAO WENDEL ESTAVA DE SERVIÇO/ MAS NÃO APARECEU NO QUARTEL// A COORPORAÇÃO DIZ ESTAR FAZENDO DILIGÊNCIAS DESDE ONTEM PARA TENTAR LOCALIZA-LO//

SONORA - ten. WANDERSON - 3º BPM

OFF4 - A VIÚVA DA VÍTIMA ESTAVA DESCONSOLADA//

SONORA RÁPIDA - SEM GC

#Deixa: "... QUERO QUE ESSE CABRA PAGUE, FIQUE PRESO" (na viúva)

[NOTA PÉ]

SEGUNDO O COMANDODO TERCEIRO BATALHÃO/ O SOLDADO WENDEL JÁ É CONSIDERADO DESERTOR///

Bom fim de ano!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Diário de bordo

Naquele domingo, o avião decolou de Maceió perto das cinco da manhã. Quatro horas mais tarde chegaríamos – minha irmã e eu – ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para uma jornada de 12 horas de espera pelo próximo vôo. E assim esperamos à exaustão. Não víamos a hora de decolar do solo brasileiro e cruzar a fronteira. As horas, porém, passaram com um pouco mais de alegria com a presença de um antigo amigo cibernético, que nos fez companhia por várias horas de riso e conversa – mais tempo tivesse.

(Chega uma hora que tudo incomoda: Levantar dói o pé e sentar dói o joelho; Olhar pra baixo dá dor de cabeça e olhar cima dói o pescoço. Qualquer ambiente parece barulhento demais e todo mundo vira chato. Na cabeça, a imagem do quarto do hotel)

Finalmente a hora do embarque chegou e lá fomos nós, fazer o check-in. Pouco depois, estávamos sentados nas poltronas 31 A e B do vôo AM 15. E como se as doze horas de espera não fossem suficientemente cansativas, as outras nove de ‘vuelo’ somavam mais cansaço. Àquela altura, eu só pensava em chegar.

(O que as empresas têm contra a idéia de comissárias jovens em vôos internacionais? As mal humoradas aerovelhinhas parecem sempre perto de aposentar.)

Depois de nove horas a mais e 25 graus a menos, chegamos à Cidade do México. O que não significava fim de linha. Ainda faltavam 4 horas de espera num frio de cinco graus – com direito a ‘fumaçinha’ saindo da boca – e, lógico, mais duas horas de vôo. Depois de 24 horas sem descanso, duas míseras horinhas pareciam uma eternidade. A cada minuto Cancun parecia mais longe.
(Valia de tudo para tentar esquentar: Casaco, litros de chocolate ‘caliente’, tempo extra no secador de mão do banheiro e caminhadas sem rumo certo.)

Não sei se, da janelinha do avião, Cancun parecia bonita por realmente ser bonita ou pelo simples fato de ela, enfim, ter chegado. O resto do dia foi feito para dormir.
Ao acordar, na segunda-feira, pudemos ver a cidade com olhos de bom-humor. E aí deu pra notar: É lindo porque é lindo mesmo. O mar e suas sete tonalidades de azul diferentes se confundem, no horizonte, com o céu limpo.

O segundo dia foi inteiro de passeio. Xcaret é um lugar lindo, construído pra encher os olhos de qualquer um. Golfinhos, arraias, peixes-boi, flamingos, borboletas e até morcegos, além de várias espécies de orquídeas e um espetáculo cultural, que mais parece uma super produção, pontuaram o dia.

(Tudo é caro. Tudo! Uma mísera foto segurando uma arara idiota custa 15 dólares. Logo logo descobrimos que, se ficássemos convertendo tudo para moeda nacional, não compraríamos nada. O jeito foi gastar as burras mesmo.)

Chegamos cansados no hotel. De novo. Cancun cansa mais do que o dia-a-dia.

Dia livre! Podíamos fazer o que quiséssemos (Eu vou parar de falar em ‘nós’. O verbo dá fica feio) o dia inteirinho. Fazer o que, então, senão gastar? Ah... antes, lógico, um mergulho no mar azul. Que, descobri depois, era azul, gelado e cheio de pedra. Era melhor ficar só olhando mesmo.

Almocei – ô comida RUIM – e fui num lugar chamado Plaza La Isla. Sem dúvida, o shopping mais formoso, apesar de não ser o mais requintado. Aberto, como se fosse uma vila, lojas famosas e não tão famosas se encontravam lá. Puma, Nike e Zara dividem lugar com artesanato local e roupas mais baratas (comprei um casaco legal por 30 dólares. No precinho!). A maior loja é o Aquarium. Como o próprio nome já diz, é um aquário cheio de peixes, arraias, tubarões, além de mergulho com golfinhos. O show dos golfinhos, anunciado no sistema de som a cada meia hora (“Delfines, siii...”), começa às seis da noite.

(Confesso que não gostei tanto dos golfinhos. Bichinho bobo. A sincronia do nado, dos pulos e acrobacias, no entanto, encantam até aos mais céticos. Eles merecem aplausos.)

Cozumel. Vamos a Cozumel. Aliás, se pudesse escolher, eu preferia outro dia livre. Cozumel é dispensável em alguns aspectos. O melhor de lá, sem dúvida, é o mergulho. Água clara, cristalina. Podíamos ver o fundo do mar a metros de profundidade sem nem encostar na água. É quase que incontrolável a vontade de levar os peixes pra casa. Belas espécies se encontram por ali, além dos maiores navios de cruzeiro. Embasbacante.

Tirando o mar, a ilha mais parece o centro de qualquer cidade. Lojas sem brilho, com vendedores na porta convidando – e intimidando – clientes a entrar, os carros quase passando por cima dos pedestres, uma praça mal arrumada. Alguns bares, no entanto, são charmosos e convidativos. A melhor opção, sem dúvida, é a volta pro hotel.

Cheguei no hotel, tomei banho e já estava arrumado de novo, pronto para ir à melhor boate que já vi na vida. Uma tal de CocoBongo (Sim, a do Máscara.). Não era bem uma boate, ou não era SÓ uma balada. Era algo meio “Las Vegas é bem aqui”. Shows e apresentações de deixar todos – TODOS – de boca aberta.

A volta pro hotel foi andando. Nada mais tranqüilo do que caminhar por ali de madrugada. Dá pra ouvir o silêncio cantando no ouvido. Ele, no entanto, era cortado a cada cinco minutos por um taxista oferecendo seus serviços e dizendo que fazia um bom preço.

(Eles não se conformam com um ‘non, gracias’. Na maioria das vezes é preciso se fingir de surdo e continuar caminhando.)

O penúltimo dia também foi livre. Aproveitei pra andar mais e mais pela cidade, dar uma olhada nos e-mails (ô vício), comprar e descansar. Fui ao La Isla de novo, conheci outros shoppings e voltei pro La Isla. Por lá fiquei até o pôr do sol, tomando chocolate quente, admirando a vista e ouvindo Bon Jovi.

O último dia chegou e já nos despedíamos de Cancun com saudades. Ficaria mais uma semana por lá sem reclamar. Mas alegria de pobre dura pouco, e a realidade chamava desesperadamente.

A sina de conexões demoradas continuava a perseguir, mas com a ajuda e o ânimo do pessoal da excursão, tudo ficou bem mais fácil.

Enfim, o Brasil. De Cancun restam lembranças,

domingo, 26 de outubro de 2008

Um tanto bem maior.


Produzir é legal. É legal quando dá certo, é instigante quando dá errado. Pelo menos pra mim, que demoro a me conformar em não conseguir. Sempre dá-se um jeito.

Me veio na cabeça de produzir uma entrevista pra encerrar o programa de sexta-feira e lembrei que o pessoal do Teatro Mágico estaria em Maceió. Entrei em contato com a assessoria deles e consegui marcar um horário. Inicialmente, a entrevista seria no estúdio, mas a agenda deles já estava ocupada. Então, se Maomé não vai à montanha... Enfim, fomos lá no hotel deles.

Quando estava fechando a pauta lembrei que, no primeiro show deles aqui, um grupo de fãs fez uma poesia e entregou uma bandeira de Alagoas assinada. Achei legal convida-los pra participar da entrevista. Umas olhadinhas no Orkut, consegui o contato desses fãs. Marquei com eles.

No outro dia, achei que seria ÓTIMO arrumar um cenário adequado para a entrevista. Liguei pra um teatro daqui e consegui que a entrevisa acontecesse lá. Mas, por probleminhas de logística, não foi possível levar o pessoal até o teatro e tive que desmarcar a locação no dia. Fez-se na pousada mesmo. O que foi um pena, enfim.

Só uma coisa me incomodou profundamente nessa matéria: A edição. Faltou sensibilidade, faltou carinho, faltou 'jeito'. Cortes secos, trechos desconexos do DVD. Era uma matéria especial, poxa, pra fechar o programa de forma bem leve, depois de uma semana pancada. De qualquer forma, foi legal produzir isso, por isso coloquei aqui no blog.

Aproveite.

sábado, 4 de outubro de 2008

Sem comentários!

Tenta assistir ao Fala Brasil, da Record, todo dia. Você vai ter a mesma sensação que eu tive hoje cedo: Percival é o cara!

Os apresentadores dão o 'bom dia' e...

Uma matéria de polícia depois: "E agora o nosso comentarista Percival de Souza fala sobre o assunto."

Uma matéria de economia depois: "E agora o nosso comentarista Percival de Souza fala sobre o assunto."

Uma matéria de política depois: "E agora o nosso comentarista Percival de Souza fala sobre o assunto."

Uma matéria de economia depois: "E agora o nosso comentarista Percival de Souza fala sobre o assunto."

Uma matéria de qualquer coisa depois: "E agora o nosso comentarista Percival de Souza fala sobre o assunto."
E quando a gente acha que acabou, eles chamam uma repórter com link ao vivo e ela, sem titubear, diz: "E ao meu lado, o comentarista Percival de Souza fala sobre o assunto."

Eitá... Percival, sem cem comentários!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Nostalgia

Muito difícil eu abrir espaço aqui no blog pra falar de mim, da minha cabeça, das minhas nóias e minhas sensações. No entanto, agora me deu uma súbita vontade de escrever sobre como músicas pautam épocas da minha vida.

Não muito raro, tiro da gaveta um cd antigo, abro uma pasta num local mais obscuro do computador e, ao apertar o play, instantaneamente um turbilhão de lembranças e sensações passadas me invadem, como se quisessem mostrar que existe um passado, existiram pessoas, momentos, cheiros... Mostram uma época boa, uma época mais ou menos, as vezes até uma umas ruins (quem não as tem?). Lembro de círculos de amizades que, por força do tempo, se afrouxaram. Lembro de uma vidinha-mais-ou-menos que não tem previsão de volta, lembro de que outro Arthur, com outras idéias, outras obrigações, outra rotina.

Não que o Arthur de hoje não me agrade, ou que os momentos de hoje não me façam feliz. Não que as minhas amizades atuais sejam ruins ou fracas. Amo-as incondicionalmente, por sinal. Não é nada disso. Mas não é nada ruim (re)viver o que passou.

domingo, 21 de setembro de 2008

Maísa foi embora.

Abaixo, dois textos que escrevi pra um trabalho na faculdade. A intenção era mostrar uma descrição estática e uma dinâmica. Eu não sei se consegui do jeito que era pra conseguir, mas gostei do resultado. Eu optei por contar a mesma história de duas formas diferentes. Ainda penso em continuar com a versão do assassino, a da mãe da menina e a do cachorro. Mas, isso é mais pra frente. Por enquanto, tá aí.

Os próximos dias 19 de setembro jamais passarão em branco na família Frias. Era cerca de oito horas da manhã naquele apartamento de classe média alta no bairro da ponta Verde, em Maceió. O sol brilhava lá fora. No quinto andar, a chaleira começou a chiar, dando o sinal de que a água do café estava fervendo. O som agudo parecia ritmar a dança das mudas de alecrins e manjericões do lado de fora da janela da cozinha.

O barulho irritante chegou aos ouvidos de Dodô, o pequeno basset de pêlos cor de caramelo da família. Este, por sua vez, incomodado com aquilo, procurava a dona, Maisa, para ajudar a amenizar o ruído. Um cheiro estranho, porém, o chamou à segunda porta à direita do corredor. Era o quarto de Maisa. O cheiro era de sangue.

Dodô ainda lembrava: Ela havia chegado da caminhada, brincou um pouco com ele e pôs a água no fogo pra esquentar enquanto tomava banho. Agora, lá estava ela, deitada no chão, os cabelos molhados. Dodô a cheirou, lambeu seu rosto, mas o gosto ruim do sangue o fez parar. De repente, o apito da chaleira cessou.

Por horas, só se ouvia o som do silêncio, que foi cortado pelo da chave girando a fechadura. Era Dona Branca, mãe de Maísa. Olhou para Dodô, que não fez a habitual festa com sua chegada e continuava deitado embaixo da mesa de jantar. Ela estranhou. Foi até ele, alisou a cabeça. O cão respondeu com o rabo abanando, levantou e, como se pedisse para que ela o seguisse, em direção ao quarto de Maísa. Branca percebeu a intenção de leva-la ao quarto da filha e seguiu. O cachorro se postou ao lado do corpo e olhou para Branca. Os rosto da senhora, queimado de sol, começou a palidar, os olhos arregalados. As lágrimas acompanharam um grito abafado de dor. Em choque, branca ajoelhou-se ao lado do corpo da filha. O vidro temperado do box em estilhaços molhados com o sangue que saía de um buraco na testa da garota. Passava de meio dia e o corpo já estava gelado.

Maísa Frias entrara para as estatísticas como vítima de um assassinato – ainda – sem autor ou motivo. Em todas as entrevistas, a família se limitou a pedir justiça. No velório, os choros tímidos não escondiam a dor e a revolta. Já no enterro, a única voz que se ouviu foi a de Letícia, a prima de quatro anos, que disse: "Maísa foi embora".

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Maísa Frias acordou disposta naquele 19 de setembro. Levantou mais cedo que o de costume, tomou um suco de laranja da fruta com pães torrados melados de geléia de amoras. Brincou um pouco com Dodô, seu pequeno basset com pêlos cor de caramelo e voltou pro quarto. Pôs a roupa de corrida e saiu de casa. Nesse dia, o porteiro disse, ela desceu de escada os cinco andares daquele prédio de classe média alta, na Ponta Verde, em Maceió.

Caminhou para a esquerda, em direção à Jatiúca. No caminho, trombou com uma de suas melhores amigas, Roberta, com quem continuou o resto da caminhada entre risos e fofocas. Para deleite dos rapazes, neste dia, Maísa prendeu os cabelos loiros com um rabo de cavalo, vestiu uma calça leg preta com listras brancas laterais e camiseta regata cor de rosa colada, ambas demarcando o corpo trabalhado na academia.

Uma hora e meia depois da corrida, as duas amigas se despediram. Maísa subiu, desta vez, de elevador. Entrou em casa e estranhou a porta aberta. Jurava que tinha deixado trancada. Dodô parecia assustado, mas não deixou de fazer festa quando ela entrou em casa. A jovem respondeu a recepção com carinhos e afagos, como sempre fazia. Foi até a cozinha, colocou um pouco de água na chaleira para fazer o café que tomava depois da caminhada. Usou fogo baixo, para dar tempo de um banho. Entrou na sua suíte e foi direto ao chuveiro.

O barulho da água caindo não a deixou escutar os passos se aproximando. Era Guilherme, seu ex-namorado. Armou a pistola com silenciador e esperou do lado de fora da porta do banheiro. Ao ouvir o chuveiro desligar a surpreendeu. Ela, de súbito, gritou. Ele mostrou a arma, fazendo-a calar.

A respiração dos dois ofegava quando ela tentou fugir, sem sucesso. Guilherme a bateu no rosto com força, arrancando mais gritos. Maísa, então, procurou se defender com chutes, acertando alguns nas canelas de Guilherme. Ele, impaciente, falou que ela não o machucava mais e que nenhuma dor é comparada à que ele sentiu ao ser traído pela menina enquanto namoravam. Maísa tentou argumentar, mas o ex lhe deu ordem de calar-se. A moça, com medo, achou melhor obedecer.

Guilherme desabafou, dizendo que ela nunca deveria tê-lo traído, que um namorado como ele, Maísa jamais encontraria e que nunca a perdoaria. Disse ainda que só voltaria a ser feliz quando fizesse vingança e que aquele havia sido o jeito de satisfazer sua vontade.

- Acabar com a sua vida é o modo que eu arranjei de continuar com a minha, revelou.
- Pense direitinho, Gui. Não faça isso, suplicou. Sem sucesso.

Tarde demais. A decisão já estava tomada. Guilherme a empurrou para dentro do box e, pelo lado de fora, disparou o tiro certeiro na cabeça de Maísa. Ela, ainda enrolada na toalha branca, caiu. O assassino saiu do mesmo jeito que entrou, pela porta da frente.