sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sensibilidade

Hoje, eu estava vindo pra casa em companhia de um conhecido. Ele é Major do Corpo de Bombeiros de Alagoas, pai de meus dois primos e também faz jornalismo na minha faculdade - embora ele já tenha trancado o curso um milhão de vezes. Admiro muito o trabalho do Corpo de Bombeiros e acredito que eles poderiam ser mais respeitados pelas autoridades e sociedade. Mas esse não é ponto.
Durante a conversa, justamente falando sobre o trabalho dos bombeiros, ele me relatou um caso que me deixou meio de queixo caído. Segue o relato, que foi mais ou menos assim:

"Uma vez a gente estava indo fazer o caso de um rapaz que sofreu acidente de moto e, na pancada, perdeu a perna. Na hora. A perna dele voôu. Chegamos lá, prestamos o socorro, o colocamos na viatura do Corpo. Enquanto isso, outra pessoa foi buscar a perna, que tinha voado longe. Me impressionei quando vi que o cara, que já estava na coorporação há um bom tempo, pegou a perna do motoqueiro e colocou embaixo do braço como se fosse um pedaço de pau."

Eu fiquei horrorizado imaginando a cena. Por mais que o seu trabalho seja assim, nunca se pode deixar a sensibilidade de lado. O lado humano não pode ser esquecido. Era uma PERNA, poxa.
Acho que quando você, num trabalho desses, perde a sensibilidade, é hora de ser encaminhado pra algo menos "humano". Vai pra contabilidade, administração... O Major também acha assim: "No outro dia, encaminhei ele pro psicólogo".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Charlie Brown Jr.


O rock ácido tomou conta do palco principal da Cidade da Música no último show da quarta-feira.
A banda Charlie Brown Jr. Transformou o palco em uma grande pista de skate, que foi um show a parte, com a participação do pentacampeão mundial de skate, Mineirinho, que roubou a cena em determinados momentos do shows com manobras de tirar o fôlego.
Chorão, Thiago Castanho, Heitor e Pingüim tocaram grandes sucessos da banda como “Lutar pelo que é meu”, “Ela vai voltar”, “Vícios e Virtudes” e levantaram a platéia, já em quantidade reduzida devido a hora, já passavam das cinco da manhã. As músicas vieram, quase todas, com arranjos mais encorpados e sempre com um beat box em segundo plano, coisa que já virou marca registrada da banda.

Em determinado momento, Chorão quis chegar mais perto do público e cantou “Papo Reto” no suporte de uma das gruas, que fica perto do palco, mas com o público em volta, ao delírio.

A banda finalizou a apresentação com coreografias de brake no palco.




Foto: Chorão, do Charlie, agradecendo ao público pela boa recepção. (Por Coperphoto)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Strike!

O show da banda Strike no palco Tendências do Festival de Verão Salvador 2008 vai ser inesquecível para Thiago Castro, 18 anos. Ao fim do show, já no “bis”, Marcelo, vocalista da Strike chamou Thiago ao palco para cantar a música “Paraíso Proibido”, tema da abertura da novela Malhação, da Rede Globo.

Ao fim do show, o “cantor temporário” da banda estava eufórico. “Foi muito bom cantar com eles, porque é a minha banda preferida”, disse ele, molhado de suor.

NOTA: NA VERDADE VERDADEIRA, THIAGO CASTRO DISSE "EU ACHEI DO CARALHO PORQUE A BANDA É MUITO FODA E É MINHA BANDA PREFERIDA", MAS EU NÃO IA ESCREVER ISSO NUMA MATÉRIA, AÍ MAQUIEI A FALA DO CARA!

Chicleteiro ele

Chicleteiro que é chicleteiro conhece Paulo Saraiva, o “Saraiva”. Os que conhecem pelo nome, passam, batem no ombro e dizem “E aí, Saraiva”, os que não conhecem de nome, com certeza conhecem de vista. Com um chapéu em formato de camaleão e uma bananeira feita com material desconhecido que pesa mais de 6 quilos, Saraiva percorre shows da banda Chiclete com Banana por todo o Brasil.
A paixão começou cedo, há 21 anos, quando o Chiclete ainda se apresentava com o nome de “Banda Scorpion”. Ele tem 35 anos e trabalha como caseiro em um condomínio – quase um bairro – chamado “Vilas do Atlântico”, em Salvador. Ganha, por mês, pouco mais de 400 reais e garante que todos os shows do Chiclete ele paga com dinheiro próprio. Só pra estar no Festival de Verão de Salvador 2008, Saraiva desembolsou 190 reais. E satisfeitíssimo.
Ele saiu Piauí para morar em Salvador sem conhecer ninguém, sem lugar pra ficar, só com uma mochila nas costas, pra arrumar emprego. Já na Bahia, trabalhando com road, conheceu o Chiclete e se apaixonou. De lá pra cá, não parou mais. Aonde tem Chiclete, tem Saraiva.
Na bananeira que carrega nos braços e na cabeça durante os shows, Saraiva coleciona fotos que já tirou com Bel, vocalista da banda. Mostra com orgulho sua foto preferida, um registro que fez com toda a família do ídolo. “Foi na inauguração de uma academia, lá no Vilas. O Bel estava lá e eu pedi a ele pra tirar uma foto com a família dele. Na mesma hora, Bel virou pra todo mundo e disse ‘Pessoal, o Saraiva que tirar uma foto!’”.
Na bananeira também tem seu telefone celular. Pra quê? “Ah, pra o pessoal ligar pra mim pra saber do Chiclete.”
Foto: Saraiva e a Bananeira de seis quilos (Portal iBahia.com)


"Eu sou, sou tiete da Ivete"

O Festival completa 10 anos de show. E aonde tem show, tem tietes. Ainda mais se o show for da Ivete.

Tem gente – e muita gente – que vem só pra poder ficar poucos segundo mais perto da baiana. Larissa Portal, 16 anos, veio sozinha de Brasília só pra assistir a apresentação de Ivete. Enquanto rolam os outros shows, ela fica no alambrado em frente ao backstage, esperando o furacão baiano passar. Mas ela não fica sozinha. Assim como Larissa, Leila Dalro também espera ansiosa a o show de “Veveta”, e faz uma confissão: “Deixei minha filha de três meses em casa só pra ver o show. É um sacrifício que vale a pena.”. Sacrifício um pouco diferente é o de Bárbara Andrade. “Saí de casa só pra trazer a minha filha de catorze anos pra ver o show de Ivete”, mas assume que também é fã da cantora.

Nx quem?

Nem bem ocupou o seu lugar ao sol e a banda Nx Zero já vem ao Festival de Verão exigindo como gente grande. Além de energéticos, isotônicos, as já consagradas toalhas brancas, refrigerantes e cervejas, a banda emocore tratou como indispensável a presença de 10 caixinhas de achocolatados "Todynho", duas caixas de bombons sortidos, um cesto de frutas da época e uma garrafa de whisky, mas tem que ser Jack Daniels. Além disso, não pode faltar refrigerante, incluindo a Coca Light, sanduíche de metro e quatro caixas de água (sem gelo!).

José Pedro, o Zequinha.

Aí ontem eu estava voltando pra casa com minha avó e o caseiro do "Pau Amarelo", sítio da nossa família, no interior de Alagoas. Ele trabalha com minha família há muito tempo. Não sei quanto, mas muito tempo. O nome dele é Zequinha.

"Zequinha" porque foi batizado com esse nome. Mais tarde virou José Pedro da Silva, mas até então era Zequinha. E até hoje é.Zequinha é o cara típico de interior: Sorriso no rosto, voz mansa, fala cantada, trabalhador de mão calejada. Entende tudo de plantar, colher e sempre começa as frases com "Aaah...", por exemplo: "Aaah, hoje vai fazer chuva", "Aaah, mas essa fruta não dá la no Pau Amarelo não.". Quando vem a Maceió é porque vai ter festa. E ele vai trabalhar até o fim dela, sem tirar o sorriso do rosto. E já deixa avisado em casa, para esposa e filhos: "Aaah, não sei quando volto não."Ele veio pra ajudar no casamento de uma prima minha, no dia 5 de janeiro. "Aaah, já avisei em casa, só volto lá pro dia oitxo".

Ele tem uma risada engraçada. É difícil escrever fonemas, mas é algo como "Ehên Hén Hén".

Minha avó falava com ele sobre as pessoas que moravam ao redor do sítio quando ela era criança.

- E dona Fulana?

- Aah, dona Fulana tá lá.

- Acho que nem a reconheço mais.

- Aaah, conheçe mais não. Ela pegou uma doença... Tá com o rosto todo "pilicadinho".

- É vitiligo?

- Ééé isso aí.

- E dona Sicrana?

- Aaah, tá tão veinha, tão magriiinha... Ehên Hén Hén.

Zequinha é uma figura ímpar. Nunca conheci um cara como ele. Morre de amores pelo Pau Amarelo. Se perguntar, ele diz "Aaah, mas é bom demais o Pau Amarelo. Minha vida é aquilo alí... Ehên Hén Hén"