quinta-feira, 17 de julho de 2008

Passei na casa, seu José não estava.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A Infraero informa...

Era um fim de noite tranquilo naquela saleta de redação de telejornal. O programa acabara de ir ao ar com as matérias mais quentes do dia e a reunião de pauta chegava ao seu término. O clima já era de despedida quando entra ninguém-sabe-quem esbaforido, com a notícia mais inesperada do dia inteiro: "CAIU UM AVIÃO. UM BIMOTOR. PERTO DO AEROPORTO. ACABEI DE OUVIR NO RÁDIO DA POLÍCIA!"
Nem preciso dizer que a pauta acertada havia ido pras cucuias, o ensaio de despedida tinha sido abortado e agora a primeira ação era apurar informações.
Nessas horas, todo mundo vira um polvo e tem seus oito braços. Com um telefonema, a equipe já havia sido enviada ao local do acidente. Um grito aqui e o estúdio havia sido reaberto, as luzes religadas e os equipamentos reativados. Só faltava lincar o repórter com a base, preparar a vinheta de abertura e cortar a programação da rede. Lá estaríamos nós dando em primeira mão a notícia que ia ser assunto em todas as rodinhas de cerveja e todas as pausas para o cafezinho. E, lógico, era pauta certa para o resto da semana.
A primeira ligação foi para a Infraero. Chama o telefone, a atendente começa a conversa.
- Infraero, boa noite.
- Oi, quem fala?
- Fulana
- Oi Fulana, aqui é Arthur, da Tv Alagoas - SBT, tudo bem?
- Tudo
- A gente acaba de receber a notícia de que um avião bimotor acabou de cair aí no aeroporto. Procede?
- Ahn? É.... (segundo de silêncio). Um minuto, vou passar para o meu supervisor.
Apertei a teclinha de "mute" e mandei as primeiras informações pra galera que, neste momento estava apreensiva e impaciente por não poder ir pra casa.
- ATENÇÃO! ELA VAI ME PASSAR PARA O SUPERVISOR!!
E nada de o supervisor atender. Minha mente maquinava, a respiração aumentava de ritmo. Lógico que o supervisor não ia atender. Afinal, um avião tinha caído. Ele não ia ficar esperando a imprensa ligar. O caos estava instalado na Infraero e o responsável não iria ficar prestando esclarecimento a um estagiário de televisão.
Desliguei. Eu precisava de alguém que me confirmasse a queda de um avião. Liguei na SAMU (e dessa vez eu lembrei o número*).
- Atendimento SAMU.
- Boa noite, quem fala?
- Fulana.
- Oi, Fulana. Aqui é o Arthur, da Tv Alagoas - SBT, tudo bem?
- Hum... (não devia estar tudo bem.)
- A gente recebeu a informação de que um avião tinha caído nas proximidades do aeroporto Zumbi dos Palmares. Vocês foram acionados? Estão sabendo de alguma coisa?
Em tom de riso, ela mandou um assim - Avião? Caiu? Espera aí, tá?
Apertei a teclinha de "mute" de novo. Falei com a redação - Gente, a mulher riu da minha cara.
Enquanto todos aguardavam o resultado da ligação o dono da emissora entra na redação bem eufórico. Afinal, como eu já disse antes, íamos dar a notícia em primeira mão. Isso queria dizer que, no jargão tevealagoano, iríamos "dar um pau na Pajuçara".
Enquanto os outros falavam sobre a transmissão, eu me forçava para concentrar na conversa da atendente da SAMU com uma outra pessoa, que continuava a rir, dizendo alguma coisa como "O menino da tv Alagoas tá querendo saber se caiu um avião", como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo. Logo depois ela volta a falar comigo. Só aí tirei o dedo do "mute".
- Senhor...
- Ahn?
- Ó, o que eu soube aqui é que está havendo um treinamento do Corpo de Bombeiros. A equipe foi acionada sim, mas foi só um treinamento.
- Ahn... tá. Tá bom.
Intimamente eu não tinha me conformado, mas não queria chamar a pobre atendente do SAMU de mentirosa. Comuniquei à redação. Ainda bem que todos pensaram como eu e não se conformaram. Para nós, já era obvio de que o avião realmente havia se espatifado no chão e que corpos em chama e um monte de ferro retorcido seriam a manchete do dia seguinte.
Ligamos para um dos repórteres, que também achou estranho: "Treinamento de noite? Não existe. Corre pra lá, monta o link, vamos entrar ao vivo!".
Eu estava impaciente. Teria que esperar a equipe de reportagem chegar lá para ter a confirmação, enfim? É. Teria. Ou melhor, teria - no passado - até meu cérebro estalar: LIGA PRO CORPO DE BOMBEIROS, HOMEM DE DEUS!
Um grito de pressa desesperada saiu: QUAL A PORRA DO NÚMERO DO BOMBEIRO?
Antes de ouvir a reposta, lembrei do 193. Só que desta vez a pergunta ia ser diferente:
- Corpo de Bombeiros...
- Boa noite, quem fala?
- Fulano. (Dessa vez era homem)
- Oi Fulano, aqui é o Arthur, da Tv Alagoas - SBT, tudo bem?
- Opa, meu amigo. Diga lá. (Talvez também não estivesse tudo bem com ele).
- Fulano, está acontecendo um treinamento de vocês agora lá no aeroporto?
- É. Um treinamento. De rotina, sabe?
- (Desapontado) Ah, sei. Tá bom então. Obrigado, boa noite.
Virei pra editora e sugeri com o máximo de desânimo: Manda a equipe cobrir o treinamento pra não perder a viagem então.
E lá se foi a nossa equipe, cobrir treinamento do Corpo de Bombeiros. Lá se foi a nossa esperança de dar a notícia primeiro. Ou melhor, restava uma última cartada: "O jornal da Pajuçara tá começando! Aumenta a tv!!".
E só aí a idéia foi abortada. O avião era alarme falso.
Só aí percebi o quanto eu estava feliz com a notícia que poderia significar a morte de algumas pessoas. Mas o sangue do jornalista falou mais alto na hora. A adrenalina subiu, os olhos brilharam, o sorriso abriu. Tudo isso foi inevitável. Acontece com todo jornalista (seja ele formado ou não).
Mas pelo menos a Pajuçara também não deu pau na gente.
*Não entendeu? Clique aqui.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

À Senhora Polícia Federal

Venho através deste, solicitar à vossa senhoria que, ao realizar uma operação de tal magnitude, levando à prisão pessoas de tão alta patente e periculosidade, tente ser um pouco menos cansativa.
Peço também, encarecidamente, que tais operações sejam realizadas com um regular período de tempo entre uma e outra.
Resumindo: Vê se demora mais um pouquinho pra prender esses filhos da p@$#, porque o coração velho não aguenta correr tanto!
Atenciosamente,
Eu.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Aí vai mais uma matéria que eu ajudei a compor. Essa, foi feita em dupla: Eu e a Rachel. Foi sobre o início do período de festas juninas. Quisemos puxar de volta a tradição de palhoções e reuniões familiares ao redor da fogueira, indo contra ao novo costume de juntar uma galera jovem no carro e ir às festas do interior do Estado. Ficou bem legal.

Se tiver alguma dúvida sobre os termos, tem um pequeno glossário aqui!

ESTÁ OFICIALMENTE ABERTA A TEMPORADA DAS FESTAS JUNINAS// A VÉSPERA DE SANTO ANTÔNIO NA CIDADE MOSTROU QUE AS TRADIÇÕES NO MÊS DE SÃO JOÃO CONTINUAM MAIS VIVAS DO QUE NUNCA///

#RODA VT: 1' 23''

DEIXA: "... EU GOSTO MUITO DE SÃO JOÃO" (NA MARIA ISABEL)

OFF 1: PARA CELEBRAR O SANTO CASAMENTEIRO/ AS IGREJAS GANHARAM UMA DECORAÇÃO ESPECIAL// COM MÚSICA E PRECES/ DEVOTAS DO PADROEIRO DOS POBRES AGRADECERAM AS BÊNÇÃOS ALCANÇADAS//

SONORA SÔNIA DE MORAES - DONA DE CASA

OFF 2: NOS BAIRROS DA CAPITAL/ AS BARRACAS DE COMIDAS TÍPICAS COMEÇAM A APARECER// A BELEZA DAS QUADRILHAS ATRAI CRIANÇAS/ JOVENS E ADULTOS// DONA JOSEFA SE ORGULHA DE CONTRIBUIR COM A FESTA// TODOS OS ANOS ELA É ENCARREGADA DE COSTURAR OS VESTIDOS RODADOS//

SONORA JOSEFA PEREIRA - COSTUREIRA

OFF 3: NA VÉSPERA DE SANTO ANTÔNIO HÁ TAMBÉM QUEM PREFIRA A LUZ DA FOGUEIRA// NA FAMÍLIA SANTOS SILVA A TRADIÇÃO ATRAVESSA GERAÇÕES//

SONORA - ANDRÉ SILVA - ESTUDANTE

SONORA - MARIA ISABEL DOS SANTOS - APOSENTADA

terça-feira, 8 de julho de 2008

Lição do dia


Cada dia é um novo dia. Só é uma pena que cada hoje não seja melhor que cada ontem, mas a gente chega lá!
Retrato de um bom dia. Um dia muito bom.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Apertem os cintos...

... o piloto sumiu.

E agora, me vem na cabeça um "te vira que você não é quadrado".

A vida é mesmo assim. Bola pra frente. Inspira, respira e vamos que vamos!

terça-feira, 1 de julho de 2008

"Catapimba e a mulher foi ao chão"

No meio da Fernandes Lima, às quase sete da noite, uma mulher foi atropelada por uma moto. Como eu sei disso? É que foi bem na minha frente.

Eu estava indo pra casa, tentando relaxar no caótico trânsito da avenida, quando eu olho pro meu lado direito. A cena era essa: Duas mulheres com algumas sacolas plásticas penduradas nos braços desceram do ônibus e iriam atravessar as três faixas da avenida enquanto os carros estavam parados no semáforo. Elas atravessaram uma e, na hora de passar da segunda para a terceira, não viram uma moto - sempre uma moto - que, por sua vez, também não as viu. Um ônibus - sempre um ônibus - atrapalhou a visão de ambos. Catapimba e a mulher foi ao chão.
Demorei coisa de três segundos pra entender a cena que acabara de se desenrolar na minha frente. E demoraria até um pouco mais se minha mãe - sempre a minha mãe - não tivesse se movido no carro, desatando o cinto de segurança, abrindo a porta e dizendo "Prestar socorro! Prestar socorro! ".

Desatei o cinto, abri a porta, tirei o telefone do bolso e, qual é mesmo o telefone da SAMU? Nessas horas a pessoa esquece. Deu um branco. O único número que me veio à cabeça foi o 190. Então, foi pra esse que eu liguei. Nem chegou a chamar e eu desliguei o telefone. Alí, eu queria ser três pessoas e fazer tudo ao mesmo tempo. Minha mãe pegou o meu telefone e ligou pra SAMU (dessa vez, de verdade) e eu fui tirar meu carro dalí - afinal, tive que atrapalhar o trânsito.

Quando voltei, a cena já tinha mudado. A mulher estava lá deitada no canteiro da pista, com um homem a examinando. Era um médico que também parou pra prestar socorro. O diagnóstico dele foi rápido: Fratura de fíbula.

O médico foi embora e eu também. Afinal, já não havia mais o que fazer. A mulher ficou na companhia da amiga que já estava com ela na hora do atropelamento, a SAMU já estava a caminho e eu estava um bagaço de cansado.
O conteúdo daquelas sacolas virou farinha no asfalto. E o motoqueiro? Ninguém sabe.