terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sucaria nunca mais

Poucas coisas me irritam tanto quanto mau atendimento em restaurantes.
Cheguei numa sucaria aqui de Maceió, que promete sucos 100% naturais. Sentei numa mesinha na calçada e não vi nenhum garçom por perto. Estiquei o pescoço, olhei para a parte de dentro... nada de garçom. "Mas eles não vinham na mesa?", pensei, lembrando da última vez que estive lá, há um bom tempo. Levantei, fui até a cozinha. Uma mulher de sorriso amarelo me viu.
- A gente tem que pedir no balcão ou vocês vão até a mesa? - perguntei.
- É, a gente pode ir até a mesa. - disse ela, como se fosse um favor vir até a mesa.

Voltei pra mesa já com uma certa frustração de ter que pedir para ser atendido. Sentei e lá vem a mulher do sorriso amarelo. Entregou um cardápio para os dois.

Mesmo achando meio caro, decidi que R$ 5,00 poderia ser um preço justo pra 300 ml de suco '100% natural'. Para acompanhar, pedi um sanduiche de frango com palmito. O amigo que me acompanhava, pediu um cheeseburguer que vinha com batatas chips, de acordo com o menu, e um suco de abacaxi com não sei o que lá. Antes de se retirar, a mocinha colocou uma espécie de sininho eletrônico na mesa. Deve ter me achado com cara de desantenado, porque fez questão de me explicar para que servia aquilo. Tudo bem, pode ser ordem de um superior, ter que explicar para que serve o botãozinho que faz o mostrador digital emitir um aviso sonoro infernal de senha de banco, avisando que a mesa XX está chamando.

Enquanto conversávamos, ouvi o nosso suco sendo preparado lá no balcão. E, de repente, minha amigdala começou a se contorcer garganta a dentro. Era o inconfundível barulho de gelo batido. Apertei o danado do botão e lá vem de novo a mocinha.
- Pois não.
- O meu suco é sem gelo, tá?

Ela fez uma cara de 'puta merda' que já me deixou ciente que lá vinham as explicações do Rodrigo Cunha, superintendente do Procon, na minha cabeça, sobre os direitos do consumidor. Disse que ia lá dentro, 'verificar se o suco já foi feito'. Olhei para a cara do meu amigo, que se animou com a historinha de 'faça outro' que estava por vir.

A mocinha voltou, com cara de 'sinto muito, você perdeu'.
- É. O suco já foi feito.
- Mas eu não posso. Estou com problemas na garganta e sem poder tomar gelado.
- Mas você não avisou. - disse ela, com sorriso amarelo-sacana
- Mas ninguém me perguntou - respondi com o mesmo sorriso.
- Eu vou chamar minha patroa.

Lá vem a patroa.
- Algum problema? - perguntou. Expliquei tudinho.
- É, mas o suco já está pronto.
- Então cancele, não posso tomar. - disse eu, perdendo o tom educado que eu vinha adotando até então.

Ela saiu sem dizer nada, com cara de quem ia resolver tudo. Voltou e arrumou a mesa da frente, com jeito de quem tinha esquecido. Não olhou para a minha mesa, não deu nenhum sinal. Não me contive e perguntei:
- Então, o suco vem ou não vem?
- É... não vou ter como lhe atender. Não tenho como bater o suco sem gelo.

Eu fiquei meio pasmo. Um suco natural não parece tão impossível quando eu faço em casa. Até porque, na minah cabeça, suco '100% natural', como eles prometem, é a fruta e pronto. Sem água, sem açúcar, e sem gelo. Principalmente para que está com dor de garganta. Mas o natural deles é com água congelada.

Eu tive que engolir o sanduiche a seco. Não só pela falta do suco, mas pela raiva que eu já estava. O meu amigo, coitado, comeu um cheeseburguer ruim que só ele, que ainda veio sem a batata chips que estava no cardápio. Ele apertou o botãozinho e lá vem outra garçonete, menos simpática. Se postou ao lado da mesa e não disse nada.
- A batata chips não veio. - ele disse, sem receber resposta. A mocinha antipática deu meia volta e retornou com um pacote de Ruffles, a batata da onda. Jogou na mesa (jogou mesmo), deu outra meia volta e sumiu porta a dentro.

Pedi logo a conta, pra ir embora mais rápido. Lá veio a maldita, sem o suco de uva-aguada. Pedi a maquininha do Visa. Não tinha daquelas que vinha na mesa. É, eu ainda tinha que voltar no balcão para pagar com o Visa. Preferimos dar tudo em dinheiro - sem os 10% - e irmos embora.

No caminho de volta, lembrei porque há tempos não ia lá na Sucaria da Fruta-com-água, fazendo a promessa de não voltar nunca mais.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Minhas Conclusões

Faz tempo que não apareço por aqui. Aquele tal do TCC me deixou meio sem tempo pra fazer determinado tipo de coisas. Para outros determinados tipos, eu arranjo tempo. Mas não vem ao caso.
O caso é que eu, enfim, concluí aquele monstro de 50 páginas e, como era de se esperar, alguma hora tive que escrever as considerações finais. Considerações estas que a minha (des)orientadora ainda não viu e, quando vir, com certeza vai cortar tudo. Está muito informal, muito 'do meu jeito'. Afinal, as conclusões são minhas, oras.
Antes de ela desaparecer do meu TCC, coloco aqui, onde ninguém vai me orientar, avaliar e julgar quanto eu devo tirar.

Meu tema é sobre telejornalismo comunitário. Para quem não manja nada do assunto, é aquele tipo de reportagem que mostra um problema vivido por uma comunidade (e, aqui, eu não vou definir 'comunidade', porque posso cometer a indelicadeza de dizer 'procure no google') e faz o possível para que os órgãos (in)compententes dêem um prazo para a resoluão dele. No prazo estimado, o jornalista volta a entrar em contato com a comunidade para saber se o problema foi resolvido... enfim... é quando o jornalismo toma as dores e intermedia entre reclamões e reclamados.

Aí vai a conclusão que eu tirei:
Não é a toa que José Afonso Pena classificou a televisão como o "quarto poder." O veículo de massa tem capacidade de ditar o que deve ser feito depois de certo ponto. Algumas pessoas movem mundos para se justificar pós-denúncia televisiva. Crises internas se criam depois de escancarada a realidade no telejornal.
Mas a imprensa não é a grande vilã da história. Pelo contrário. O jornalista, aqui, tem que ser visto como Robin Hood, o herói que roubava dos ricos e dava aos pobres. A denúncia que, muitas vezes, incomoda a gente grande na política e mundo coorporativo, é a mesma que vai trazer paz e sossego ao seu Zé, à dona Maria e a tantos habitantes de uma comunidade.
Gritos de ordem como “Queremos água!”, “Queremos teto!” e “Queremos justiça!” abrem as portas do jornalismo comunitário, que não pode ser feito com medo de quem ele possa incomodar. Ele segue à risca a intenção dita por Felipe Pena, de atender às demandas da cidadania e servir como instrumento de mobilização social.
O jornalismo é um instrumento social. Ele deve dar espaço para que a comunidade fale dos que vive, independente dos meios que utilize. Existe a necessidade de se aproximar da sociedade, seja ela rica ou pobre.
Que se deixe o espetáculo para programas policiais. O Comunitário tem função social, tem responsabilidade e ética. Deve ser praticado seguindo as normas jornalísticas. Ouvir todos os lados, apurar informações e publicar com o máximo de isenção possível faz parte deste segmento.
A dona Severina, o senhor Petrúcio e todos os outros (incluindo, aqui, o seu Zé e a dona Maria), que se enxergam naquelas pessoas mostradas na televisão, agradecem.

(Aqui também não preciso de Times New Roman, 12, justificado. É ótimo ter um blog.)